
Mariana Torres
é Jornalista e uma grande amiga, passará a contribuir com o Flor de Liz a partir de hoje!Por que lutar se todos se renderam? Por que não se aliar ao inimigo? Por que continuar quando todos desistiram? Tanto sangue já foi derramado. Corpos se encontram pelas ruas despedaçados. As marcas da destruição estão por todo lado, dentro e fora de mim. E por que eu ainda estou de pé? Como?
Desista, se entregue ao mar de sangue que circunda a tua segura e tão vulnerável ilha. Beba uma única vez das águas que neste mar se atormentam e tudo se acaba.
Eu me ajoelho, meu corpo vacila pela tontura e cansados, pesados, meus olhos enfim se fecham. Eu me encontro no centro de uma sala coberta de azulejos brancos e reluzentes, salpicados de sangue. E há sangue por toda parte, vivo sangue. E sai de mim, jorra como cachoeira dos meus olhos. Corre dos meus pulsos, contorna meus dedos e respinga o chão por onde ando, como uma garrafa de vinho deitada em uma taça. Eu caminho devagar e após meus passos ficam as pegadas marcadas pelo sangue.
O tom alvo do recinto é progressivamente encoberto pelo rubro. Eu me misturo ao cenário, numa composição perturbadora aos olhos, repugnante. Eu não quero ver, não quero ver. Fecho os olhos para fugir da aflição e então, reina a escuridão. E desse ambiente gélido, um sopro de calor me invade. E minha pele começa a se nutrir dele. É como se eu nunca houvesse existido, como se essa fosse a primeira sensação que minha memória consegue recordar.
E o calor me envolve como se eu estivesse exposta aos raios de um sol brando e agradável do outono. Como quando aquecida pelo fogo que consome a lenha de uma fogueira. E eu sou parte desse calor, sou reagente do fogo, assim como elementos que combinados resultam em perfeita harmonia. Como quando as lágrimas se misturam a chuva.
Eu já consigo abrir os olhos. Da escuridão se faz luz, tão forte luz que me ilumina. Eu me descubro sob um vestido de margaridas, ladeadas por milhares de flores, de todos os tipos, cores, tamanhos e dos mais variados perfumes. E elas parecem brotar instintivamente tão logo a chuva toca o chão. O cheiro de terra molhada invade minhas narinas. Pingos grossos de chuva caem gentilmente em meu rosto e me despertam para uma nova vida. E o que era choro se converte
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