sexta-feira, 24 de julho de 2009

Adoção

Resolvi postar um trecho da matéria que li na Época desta semana sobre adoção (Época de 18/julho/2009). O nome já diz o gancho da matéria: “O lado B da adoção”. Quem não sabe, o grande sonho do minha vida é adotar uma criança negra, se der uma linda menina que se chamará Vitória. Além de ter filhos desejo ‘gerar’ a Vitória, que é fruto dos meus sonhos. Como tudo existe um lado B, neste caso também há os casos de relacionamentos ruins e até devoluções. Independente disso, eu terei meu sonho realizado, porque antes de ser meu ele é de Deus.
Leia um trecho da matéria da Época, pois ela é enoooorme!
LADO B DA ADOÇÃO (trecho)

Kátia Mello e Liuca Yonaha. Colaboraram Martha Mendonça, Nádia Mariano e Rodrigo Turrer

As dificuldades de relacionamento e os problemas que ninguém comenta – mas frequentemente aparecem depois da adoção. As histórias de sucesso e fracasso, o que os especialistas aconselham e o que pode mudar com a lei aprovada pelo Senado TRISTEZA Quando adotam, as pessoas têm altas expectativas em relação aos filhos. Nem sempre estão preparadas para dar o que a criança precisa delas Luiz, de 12 anos, chegou a uma das Varas da Infância de São Paulo apenas com uma mochila nas costas. Nenhum brinquedo, nenhum livro, nenhum CD. Além de trazer poucos pertences, o menino parecia triste. Bem triste. Estava ali para ser devolvido. Depois de cinco anos em uma família, a mãe que o adotou não o quis mais. “Foi devolvido como se fosse um saco de batatas”, disse a psicóloga da Vara da Infância, Mônica Barros Rezende, que acompanhou o caso. A alegação da mãe adotiva foi que ele não obedecia mais. “Não aguento mais. Ele desobedece, falta na escola”, teria dito ela. A intervenção do Conselho Tutelar não adiantou. O Judiciário propôs uma terapia familiar, mas a mãe não compareceu. O que fazer? Luiz voltou ao abrigo para viver a experiência de abandono. O segundo. Na família em que nasceu, o pai o espancava com um pau e foi preso por tráfico de drogas. A mãe, que também apanhava do marido, não lhe dava comida nem banho. Luiz foi parar em uma instituição aos 2 anos, depois de ser encontrado pela polícia sozinho, aos prantos, com fome e sujo. Como ele tinha uma avó, o Conselho Tutelar deu-lhe a tarefa de criá-lo, mas ela não conseguiu. Ao voltar ao abrigo, Luiz estava com hematomas e um braço quebrado. Ficou ali até ser adotado, aos 7 anos. O Judiciário avisou que o menino tinha problemas de anemia, raquitismo e arritmia do coração, e a mãe adotiva o levou ao médico inúmeras vezes. Tudo parecia bem. Mas, quando ele entrou na adolescência, a mãe adotiva teve dois netos e, segundo os técnicos que acompanharam o caso, ela passou a cuidar mais deles que de Luiz. “O meu primo nasceu, e minha mãe só cuida deles”, teria dito o menino. Luiz, como os demais personagens desta reportagem, recebeu um nome fictício, mas sua história é dolorosamente real. Há muitos casos de adoção que terminam dessa forma, naquilo que os especialistas chamam de segundo abandono. Não deveria acontecer, mas acontece. Existe uma brecha na lei quando a situação é irreversível ou acontece antes de a adoção ser formalizada. Traumática, assustadora, a devolução é o caso extremo de um fenômeno pouco discutido: o lado B da adoção – os problemas inesperados, os conflitos. Por ser um tema muito delicado, fala-se pouco sobre os problemas que enfrentam as famílias adotivas. As angústias e dificuldades existem, são palpáveis e se forem amplamente discutidas podem evitar situações desastrosas para a família que adota e, principalmente, para a criança, que já sofreu um primeiro abandono, o da família biológica. “Aquele discurso de que adoção é um ato de amor é, no mínimo, ultrapassado. A adoção demanda um estudo da situação, um preparo muito especial para aquilo que as pessoas estão se dispondo a realizar”, afirma o juiz Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, da Vara da Infância da Lapa, em São Paulo. A maior parte das adoções tem um final feliz, mas, para que o sonho não se torne um pesadelo, quem adota precisa conhecer melhor esse universo. “O sentimento pela criança adotada pode ser o mesmo de um filho biológico, mas a situação não é a mesma”, diz a psicanalista paulista Maria Luiza Assis Ghirardi, que estuda o assunto há 15 anos e publicou no ano passado, na Universidade de São Paulo, a tese Devolução de crianças e adolescentes adotivos sob a ótica psicanalítica: reedição de histórias de abandono. “O fato de uma criança ser adotiva traz especificidades. O fato de alguém não poder gerar um filho também tem suas especificidades que precisam ser aceitas.”

Um comentário:

  1. Dificuldades acontecem mesmo quando os filhos são biológicos e é preciso enfrenta-las com sabedoria afinal os adultos somos nós. Temos que ser equilibrados e ter paciência , filhos são filhos independentimente da forma em que são concebidos. Filhos são presentes divinos , são jóias raras, o maior tesouro que um ser humano pode ter.A educação tem que ser firme mais com muito amor e paciência. Dificuldades podem aparecer mas sejamos amorosos , pacientes e tolerante principalmente na adolescência que é quando eles mais precisam de nós , afinal eles passam por um turbilhão de mundanças hormanais e físicas .AMEMOS NOSSO FILHOS, POIS SÃO PRESENTE DE DEUS E A JÓIA MAIS RARA QUE PODEMOS TER.

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