terça-feira, 28 de abril de 2009

Profissão Jornalista

Elaine Tavares “Para nós, jornalistas estar em comunhão com e comunidades não significa unicamente uma opção de vida, mas uma nova maneira de perceber o mundo, de ver o mundo onde estamos inseridos e de conceber o jornalismo”. Ovo voa? Depende de como o vemos. Se tivermos a delicadeza, a ternura de aquecê-lo, dele sairá um pássaro maravilhoso que nos levará na direção do infinito. A forma de olhar muda tudo. Pode ser só um ovo, frágil como um cristal, mas pode ser um pássaro, leve como um perfume. Ha coisas na vida que são muito delicadas, só percebidas pelo ocular do coração, diz o filssofo Newton Tavares. Assim também deve ser encarado o jornalismo. Como uma forma de leitura do mundo em que a boca não fique prisioneira apenas dos olhos. Num fato dado, há coisas que vão além daquilo que vemos. Um fato jornalístico não acontece por acaso, não surge do nada. Há muito por detrás. Wittgenstein dizia: daquilo que não se pode falar, cala-se. Pobre homem esse, prisioneiro dos olhos, incapaz de dar luz a uma estrela. Contra ele temos Umberto Eco: daquilo que não se pode falar, narra-se. Isso deve fazer o jornalismo, dizer o dizível e o indizível, ser capaz de ver o que está além dos olhos. Repito: nenhum fato acontece do nada, tudo tem uma causa e uma consequência. Conta uma história egípcia que o homem quando morre é levado até a ante-sala do Deus supremo, onde só há uma balança com dois grandes pratos. Em um deles, uma deusa coloca o coração do morto. No outro prato, outra deusa coloca um pena de galinha. A condição para que o morto entre na glória eterna é que os pratos da balança não se movimentem. É isso que se espera de um bom jornalista, pois para dizer o indizível é preciso leveza no coração, capacidade de superar os preconceitos, capacidade para aceitar o outro como outro - não diferente, mas distinto - capacidade de entender a delicadeza da raça humana.

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