segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fonte alternativa de abastecimento no Ingá

Prefeitura de Volta Redonda pode transformar parque em reserva estratégica de captação de água

* Chrystine Mello

O diretor do Saae de Volta Redonda, Paulo César de Souza, deve entregar nos próximos dias ao prefeito Antônio Francisco Neto um estudo de viabilidade para que o Parque Natural Municipal Fazenda Santa Cecília do Ingá, localizado em Santa Cruz, volte a ser uma fonte de abastecimento de água para a cidade. A ideia de transformar o parque num manancial de água existe há mais de dez anos, mas só depois do acidente ambiental no Rio Paraíba do Sul, em novembro do ano passado, quando milhares de peixes morreram depois que a empresa Servatis, em Resende, deixou vazar um pesticida no rio, foi colocado novamente em pauta. O projeto foi apresentado pelo gerente da Divisão de Botânica da Secretaria de Meio Ambiente, Sílvio da Fonte Alves, conhecido como Silvinho do Meio Ambiente, durante audiência pública realizada na Câmara de Vereadores, no final do ano passado, promovida pela vereadora Neuza Jordão (PV). "Há mais de dez anos estamos tentando chamar a atenção para o Parque do Ingá. Precisou acontecer esse acidente para a fichar cair", ressaltou Silvinho. Ele lembra que a prefeitura comprou o terreno em 1955 para construir uma represa a fim de abastecer Volta Redonda, o que aconteceu somente no início da década de 1960. A captação de água da represa foi suspensa depois que passou a ser feita no Rio Paraíba do Sul. Hoje, a cidade conta apenas com a Estação de Tratamento de Água do Belmonte. Segundo Silvinho, a água da represa vem do Córrego Santa Tereza, que tem quase todas as nascentes dentro de Volta Redonda. Enquanto o estudo não fica pronto, Silvinho aguarda com expectativa o processo de licitação para o cálculo para dragagem da represa. Este projeto foi feito em 2005 pelo IPPU (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano) e aprovado pela extinta Feema (hoje Instituto Estadual do Ambiente, Inea). "Este é o pontapé inicial. Mas não é só dragar, tem que recuperar todas as nascentes e áreas degradadas existentes dentro do parque, fazer a recomposição da mata ciliar", destacou o gerente da Divisão de Botânica. A área da represa é de 3.942 metros quadrados e a dragagem precisará ser feita em quase a sua totalidade. Projeto prevê também restauração do parque O estudo de viabilidade está sendo feito por um grupo de trabalho criado pelo prefeito através de um decreto. Fazem parte da equipe, além do diretor do Saae e de Silvinho, os secretários de Meio Ambiente, Carlos Amaro, e de Administração, Carlos Macedo, o coordenador da Vigilância Sanitária, Luiz Carlos Imperial, o procurador do Saae, Antar Nader, e o engenheiro da autarquia, Patrick James Kent. "Por enquanto ainda não tenho dados de quanto poderemos captar de água no parque, mas o estudo ficará pronto nos próximos dias", informou Paulo César. Silvinho explicou que a intenção é que o abastecimento fique restrito em caso de um acidente ambiental. No entanto, também dependerá dos estudos a definição de que bairros poderão ser abastecidos para manter o sistema funcionando. "Nem que, inicialmente, seja para abastecer somente o próprio parque, que é abastecido por caminhão pipa. O que não pode é ficar parada porque, quando for preciso usar, pode apresentar problemas", ressaltou o idealizador do projeto. Além da recuperação da represa, ele ressalta que a ideia é de que haja a restauração do parque, que é a maior reserva ecológica da cidade e a maior reserva ambiental da região, com 211 hectares. "Mais de 90% dos moradores de Volta Redonda desconhecem o parque. Depois que a represa for recuperada e o parque restaurado, ficará mais atrativo para a população", disse, considerando que o número de visitantes do parque é irrisório. Além de atrair mais visitantes, a vereadora Neuza Jordão acredita que a restauração do parque também poderá fazer com que cresça a procura por parte dos estudantes. "Este é um espaço em que vale à pena investir. Não só na questão da captação de água, mas também na educação ambiental. Levar alunos de escolas, universidades e cursos técnicos voltados para o meio ambiente para lá, envolvendo a parte teórica com a prática", ressaltou. Hoje existem dois projetos de educação ambiental desenvolvidos no parque: o Ingazinho, voltado para crianças e que acontece nas quartas-feiras, e o SOS Queimadas, voltado para adolescentes e realizado às quintas-feiras. "O parque tem potencial para realizar esses projetos todos os dias, atingindo um número ainda maior de crianças e adolescentes", frisou. Com relação aos universitários, são poucos que utilizam o parque para pesquisas, o que, se espera, possa mudar a partir desse projeto.

Matéria do Jornal Foco Regional - edição 405 - 9 a 15 de fevereiro de 2009.

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