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O jornalismo gastronômico e sua amante, a crítica

Para quem não sabe, daqui há um mês eu serei, enfim, JORNALISTA! E a minha 'querida' monografia é sobre Jornalismo Gastronômico. E para balancear minha ausência aqui, posto um artigo que escrevi sobre o a crítica neste jornalismo.

A crítica é o principal modelo do jornalismo cultural, talvez o que o fez existir por longos anos. Mas no século XXI, época da modernidade, da indústria do consumo, é notório a mudança dentro deste jornalismo, o que faz autores afirmarem que o jornalismo cultural não é mais o mesmo e que a crítica está em extinção, na época em que seria natural as coisas evoluírem.

O jornalismo cultural de hoje tem se expandido, apresentando vertentes como a gastronomia, a moda e o design: todos têm a crítica como principal modelo. Apesar deste crescimento, autores como Luiz Camillo Osório e Daniel Piza discutem a crise do jornalismo cultural e da crítica, que passou a ser mais entretenimento do que avaliação e campo de formação de opinião. O que reforça a ideia de cultura como produto, perdendo também seu público principal, de acadêmicos, escritores.

Mas é exatamente essa a ideia que o jornalismo gastronômico prega, o de vender produtos. E dentro dele não existe crise da crítica; pelo contrário, ele tem crescido cada vez mais, ganhado espaço em grandes publicações e perdendo o formato de receitas, e criando um modelo de reportagem. É um avanço, porque a alimentação também faz parte da cultura do ser humano.

No entanto, é preciso analisar, apesar de não haver crise no jornalismo gastronômico, ele apresenta uma crítica de interesses. Ter a proliferação da crítica neste jornalismo não representa a ausência da crise no jornalismo cultural, já que Piza acredita que é por este tipo de modelo que exista a crise.

O jornalismo cultural sempre foi visto como secundário, e o modelo aplicado nos jornais hoje, reforça esta ideia, a começar pelos nome: Segundo Caderno, no O Globo e Caderno 2, no O Estado de São Paulo. Existe muito mais a se fazer por este jornalismo, e se for para viver de crítica, que pelo menos retorne com o modelo original, o de reflexão.

Mas nada o comprometo o bom andamento do jornalismo gastronômico. Depois que conheceu a crítica e a crônica, passou a tê-las como razão de sua existência, já que neste jornalismo o personagem principal muitas vezes é o jornalista, que, ao opinar, mostra seu rosto, passando assim a ter uma autoridade diferenciada da conquista pelos jornalistas das editorias já consagradas. Neste jornalismo o que fala não é o bom texto, mas a credibilidade do crítico.

Se existe esta crise da crítica no jornalismo cultural, o jornalismo gastronômico deve ser excluído disso. Apesar de ser uma área nova, que ainda está criando seu modelo, já aparenta ser tendencioso para os interesses da elite, ele não largará a crítica. Além de a crítica ser a essência deste novo jornalismo, a sociedade compartilha da ideia de que é preciso ter ‘avaliação’ de alimentos, chefes e seus respectivos restaurantes. No universo da gastronomia o que mais tem movido são os interesses e estes a crítica conhece muito bem, porque diferentemente do jornalismo cultural, que não tem conseguido agradar nenhum segmento da sociedade, o gastronômico tem contribuído para levantar o ego de muita gente.

Thayra Azevedo

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