Pular para o conteúdo principal

Jornalismo e “jornalismo”

Cultura em Foco Por Marcelo Melo Sobraram-nos os jornais. Graças a Deus! Claro, também temos as rádios, é verdade. Mas e as TVs? Qual será o futuro das TVs em nossa região? Pergunta difícil? Nem tanto. Mas antes de dar minha opinião, gostaria de louvar alguns veículos e jornalistas que dão e sempre deram o devido respeito que nossa região merece. Lutaram – e na maioria das vezes essa palavra não se traduziu em mera figura de linguagem. Lutaram, no significado literal da palavra, para fazer jornalismo no Médio Paraíba Fluminense. Permito-me reverenciar aqui o Diário do Vale, A Voz da Cidade, o Aqui e, mais recentemente, A Folha do Interior e, claro, este FOCO REGIONAL, do qual tenho orgulho de fazer parte. Evidentemente, permito-me ainda reverenciar programas como Dário de Paula, Uiara Araújo e Bom dia, Cidade, de Claudinho Chiesse. O que todos esses veículos e programas têm em comum? Respeito à nossa região e à nossa gente. Aurélio Paiva, Feres Nader, Dário de Paula, Fernando Pedrosa, sem citar outros tantos. Agradeço a vocês todos os dias, quando leio um jornal ou ouço uma rádio genuinamente da nossa região. Quase que empiricamente com notícias que interessam à nossa terra e ao nosso povo. Como jornalista, é bom e sempre será contar com vocês. O que pude fazer foi sempre dedicar-me ao máximo a esta nossa profissão enquanto estivemos juntos. Como cidadão, não teria como agradecê-los pelos serviços que prestam e o respeito que têm pelo público regional. Mas este artigo não tem pretensão corporativista, muito menos, à mera bajulação. Aliás, este artigo talvez nem devesse citá-los. Mas vejo-me obrigado a fazê-lo para embasar a resposta à pergunta lá do primeiro parágrafo: qual será o futuro das TVs em nossa região? Após as devidas explicações anteriores, a resposta fica mais clara. O futuro é cada vez mais obscuro. Por que obscuro? Porque temos uma potência chamada TV Rio Sul que usa como principal alicerce a programação lobotizante da TV Globo. E, em detrimento ao excelente parque tecnológico e a um bom time de profissionais, insiste em limitar-se em ser o espelho do caderno de pauta dos jornais da região. Mas, pior, rasgando as páginas mais relevantes e, como dizemos no jargão jornalístico, mais quentes. Aquelas que separam os homens dos meninos. Ou os jornalistas dos “focas”. E a Band Barra Mansa? Essa, então, merece um capítulo à parte. Primeiro, assassinou a edição vespertina do tradicionalíssimo Jornal Regional. Recentemente, de forma inexplicável, limitou a apenas um bloco – com todo o respeito aos amigos sobreviventes da redação – a um único e medíocre bloco, depois de demitir diversos profissionais, alguns de destacado talento. É evidente que essa pode ter sido uma decisão empresarial que interessa apenas aos dirigentes da Band BM e com a qual nada temos a ver. Mas temos a ver quando ligamos no jornal e vemos que a população de Tanguá (?) está reclamando de um buraco; que um sujeito da Rua dos Esquecidos, em Queimados, levou dois tiros da ex-amante, enlouquecida de ciúmes. Meu Deus! O que a região Sul Fluminense tem a ver com isso? Quem daqui quer saber disso? O que a Band BM fez - e o que mais virá pela frente (?) - foi desrespeitar uma região inteira. Numa conversa recente com um amigo jornalista, em tom de brincadeira, ele me disse: “Quem diria que um dia sentiríamos saudades da TV Sul Fluminense?”. Eu já sinto. Neste mesmo espaço, aliás, escrevi anteriormente que a Band BM estava sepultando a história da TV Sul Fluminense. História riquíssima, escrita a suor e a tinta por homens abnegados, como Dicler Simões, o maior ícone de nosso jornalismo. Onde quer que esteja agora, Dicler deve entristecer-se pelas decisões burocratas em detrimento às coisas das quais ele mais amava em vida: a notícia e a região Sul Fluminense. Mas quero me redimir. Errei ao dizer que a Band BM estava sepultando a história da TV Sul Fluminense. O que ela fez e continua fazendo é ignorar a história de todo o jornalismo regional e, na prática, a região num todo, relegando todo o trabalho daqueles que aqui foram citados e, por que não, até mesmo de um jornalista abaixo da média, como eu. Mas, pior do que isso, a Band BM joga no lixo todo o respeito merecido pela maior e mais importante região de todo o interior do estado. Por todo um povo que, apesar das sucessivas crises, continua buscando pela notícia. Lendo nossos jornais e ouvindo nossas rádios. Por tudo isso, quero deixar a todos os veículos e profissionais que aqui citei, meus sinceros respeitos e o desejo de que tenham muita força para continuar com essa luta. Já à Band Barra Mansa, meu lamento. Meus pêsames.
Originalmente publicada na edição de 27 de abril a 3 maio
– Ano VII Edição n° 415 do Jornal Foco Regional

Comentários

  1. Querida Thayra

    Desculpe minha ausencia =(
    Vi em seu post anterior que estavas triste...acredite...td passa,e outro dia chega e nos tras novas esperanças...espero que hj estejas melhor.
    Estou como disse aos outros amigos,com problemas serissimos de conexao,e divido a isso,nao consigo postar.
    Mas,tao logo consegui,vim desejar a vc um otimo fim de semana.

    Doces Beijos

    Doce Essencia

    ResponderExcluir
  2. hhuumm... sempre admirei esse cara. ele é corajoso, apesar de nem sempre eu concordar com tudo o que diz.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Seu comentário é de suma importância. Ele será exibido após minha aprovação. Obrigada. Volte sempre. Thayra Azevedo

Postagens mais visitadas deste blog

Para todo pé descalço há um chinelo velho

A expressão que dá título a este texto é muito usada quando falamos de relacionamentos amorosos. Pensando bem, ela é mesmo uma realidade. Todos nós temos uma “cara metade”, a “tampa da panela”, a “metade da laranja”, “a mussarela da pizza” e tantas expressões, que dá para ficar listando e inventando o dia inteiro. A razão de escrever sobre isto não é, de fato, relacionamentos amorosos, mas a de mostrar como é engraçado os diferentes gostos das pessoas. Calma, não é mesmo de namoros e afins que irei falar. O assunto aqui é defeitos e qualidades, como vou dizer.... Sabe a expressão “uns gostam dos olhos e outros da remela”? é mais para este caminho do que da “alma gêmea”. Mas porque o assunto é: “Para todo pé descalço há um chinelo velho”? Ué, porque eu vou falar de pé, também! Rs Em especial, dos meus pés. Rsrs Sabe aquele “defeitinho” que você tem, ou acha que tem, mas um outro ser é capaz de achar lindo? Não estou falando apenas de namorados, pais, irmãos, parentes e afins, me ...

A eterna incompleticidade

Ninguém é igual ao outro, Nenhum relacionamento se assemelha à nada, Nenhuma perda pode ser comparada Os seres são individuais e nada será similar, pelo contrário, toda troca é singular. Eu pensei que lidava bem com a morte, me enganei! Já passei por inúmeras perdas nessa vida, Nenhuma foi sentida da mesma maneira. A sensação é de eterna incompleticidade, Retirando os termos estranhos, é parte de você que vai e nunca mais vai voltar, um pedaço da alma impossível de se completar É sentir-se ausente até a eternidade. O que resta é aprender a viver, Ter uma ferida aberta Que só O Criador do tempo e o próprio tempo, especialistas na medicina da dor, podem ajudar a resolver.   11.02.2021 Thayra Azevedo   Poesia especial para Ananda Valente, eterna irmã de alma. E Maria Capitolina Santiago, minha eterna Capitu.

Pequena reflexão - Luz

Deus nos ensina de muitas maneiras, principalmente quando entendemos que nossa visão é restrita e sentimos fortemente a nossa limitação. Quando tudo está escuro e triste, quando o mar parece está nos afogando e nossa humanidade reclama, desacredita. Ele está com seus olhos em nós e suas mãos nos segurando, mesmo que não pareça. Caminhamos sem saber para onde vamos, pensando estar na escuridão, pois os nossos olhos não alcançam longas distâncias, no entanto quando um flash de luz surge, respiramos aliviados, continuamos a caminhar e quanto mais andamos mais luz encontramos. A escuridão não é o fim, o túnel não é o lugar de habitação, é uma escola, em que ao sairmos observamos que contribuiu para sermos seres humanos melhores. A dor e o medo não vencem a fé e a certeza que vamos ter dias melhores e mais iluminados!  Thayra Azevedo Março de 2014