segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Celebridades instantâneas? Basta um click do mouse

Tiricas, Geises Arrudas, Malus Magalhães, Felipe Neto, o que eles têm em comum? São todos famosos instantâneos ou quase. Pessoas que conseguiam minutinhos de fama ou até cargo de deputado através das redes sociais. Isso mesmo, a internet está dominando o mundo!

Mas porque estou falando disso aqui no blog? Porque esta semana li o livro “O Show do Eu”, e refleti sobre alguns aspectos da modernidade. A influência das mídias digitais está cada vez mais forte, daqui uns dias o número de seguidores que você tem no Twitter será requisito de currículo. Sério, as coisas andam em direção a isso.

O que tem o livro a ver com isso? Eu digo, TUDO.

A autora e antropóloga argentina, Paula Sibilia tem se dedicado a pesquisar as novas práticas autobiográficas, e isso tem sido comum na internet. O trabalho dela é fantástico, e super inteligente. O objetivo dela é mostrar com as pessoas estão ligadas às redes sociais a ponto de expor sua vida particular, as tornando um espetáculo. O mais incrível que ela tem razão. Vivemos hoje na cultura do espetáculo. Antes era a televisão, mas como na internet tudo é mais fácil e superdimensionado as pessoas aproveitam as redes sociais como Blogs, fotologs, Orkut, Youtube, MySpace, Twitter para construírem sua imagem e até mesmo descobrirem quem são.

Para falar um pouquinho disso eu entro na política, sei que não é algo de puro entretenimento, e nem o que as pessoas buscam na internet e apenas 5% fogem a essa regra, mas os casos são mesmo de pensar.

Começando pelo Tiririca. Incrível como se elegeu com tantos votos (fica claro que não estou discutindo as razões de sua vitória, a lucidez de quem votou ou se ele é ou não apto a ser deputado), o que quero mostrar é o fenômeno Tiririca na internet. O cara e sua equipe foram inteligentes ao usar as mídias sociais para se promover. O boom foi mais evidente no You Tube. Seus vídeos (engraçados, por sinal) tiveram milhões de acessos. As pessoas até brincavam que se ele tivesse o número de votos igual aos acessos, ele venceria. Dito e feito!

As pessoas estão fazendo de tudo para se promoverem, no caso deste ‘palhacinho de circo’, ops do Tiririca, ele já era “famoso”, mas usou a internet para se eleger. E conseguiu.

Temos também o presidente norte-americano Barack Obama. Eles não foram celebridades instantâneas como alguns que citei no início. Eles foram inteligentes de usar as redes como aliadas, o que podia trazer resultados negativos ou positivos.

Obama foi um grande exemplo de sucesso. Sua campanha foi um grande espetáculo. Se quiser saber mais clique em Obama Digital 1, Obama Digital 2 e As Redes Sociais e o Marketing Político - Caso Barack Obama.

Nem tudo na rede é festa. Um caso de não sucesso na rede foi Célio Turino, candidato a Deputado Federal em São Paulo, que apesar de ser famoso no meio cultural, por ter sido o criador do Programa Cultura Viva, quando secretário de Cidadania e Cultura do MinC, entre 2004 e 2010. No Ministério da Cultura, idealizou e viabilizou mais de 2000 Pontos de Cultura, Célio utilizou apenas a internet para sua campanha eleitoral e infelizmente, diferente dos outros dois candidatos, não obteve êxodo, tendo apenas 10 mil votos.

Exemplos destes mostram como as pessoas se tornaram algo pela internet ou passaram a ser algo em virtude dela. Aí podemos responder a pergunta de Nietzsche, que Paula Sibilia faz em seu livro: COMO ALGUÉM SE TORNA O QUE É? Basta um click no mouse.

Thayra Azevedo

2 comentários:

  1. Thayra<

    Gostei de sua análise, mas vc poderia aprofundar um pouco mais, até agora tento entender o que ocorreu em meu caso (agora com interesse de historiador, já que não fui eleito). Em primeiro não me considero celebridade, sou um intelectual e formulador de políticas públicas (além do cultura viva, desenvolvi várias outras, como o recreio nas férias, em sp, agentes jovens de lazer, tendo publicado vários livros). Entrei na camapnha com uma firme convicção política (esperava que meus votos representassem um Brasil de baixo para cima, um voto de opinião, para além do protesto), apesar de sair de um cargo público relevante (em que assinei centenas de convênios e tendo idealizado e implantado um programa - os POntos de Cultura e o Cultura Viva - com amplo reocnhecimento social e acadêmico, inclusive no exterior) fiz uma campanha com poucos recursos (não coseguiria dizer o que disse se tivesse feito "caixa" para campanha, porém, infelizmente, os eleitores, apesar de criticar, votam nos que fazem caixa com o dinheiro público, lastimável!), sem tempo de TV ou estrutura partidária; mesmo assim acreditava que haveria um reconhecimento maior. Por que será que não houve? Me ajuda a encontrar a resposta.
    Obrigado

    Célio Turino
    celioturino65@gmail.com

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  2. Muito boa a análise - enxergou outros pontos a que não me ative durante a leitura.
    Acho, sobretudo, que é possível tirar pontos positivos através dessa nova forma de "show" em que os protagonistas somos nós: representamos uma alternativa às formas tradicionais.
    Principalmente no que se refere à difusão da informação, os meios digitais representam uma revolução. Sou eu e você, em conjunto com o fulano, o beltrano, e o jornalista de O Globo, todos nós produzimos conteúdo agora. Talvez seja a maior revolução que este mundo já viu - ainda que silenciosa.
    Nós vamos dominar o mundo!!!

    haha

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